Terminou sem acordo o encontro entre Flamengo e as famílias das 10
vítimas fatais do incêndio do Ninho do Urubu, no encontro na tarde desta
quinta-feira, na sede do Tribunal de Justiça. As negociações estão
encerradas. Os familiares e seus representantes legais deixaram a
reunião revoltados com o clube.
- Atitude do Flamengo é uma falta de respeito com a gente, os pais. Foi
passado que estão dando apoio, nenhum...Eles estão brincando com a vida
dos nossos filhos, queria saber se não são pais, pelo que estão fazendo
com a gente, a tortura que o Flamengo está fazendo conosco. Não definiu
nada, estamos aqui como bobos, palhaços. Fomos desamparados por todos,
não nos sentimos acolhidos por ninguém, principalmente pelo Flamengo.
Eles não têm resposta para nós, familiares. Não foi falado nada -
lamentou Cristiano, pai do goleiro Christian, uma das dez vítimas fatais
no incêndio no Ninho do Urubu.
O pai do goleiro Bernardo Pisetta, outra vítima fatal da tragédia -,
disse que o Flamengo apresentou valores pífios, questionou a ausência do
presidente Rodolfo Landim e afirmou que as negociações estão
encerradas.
- Não houve mediação. A gente pediu para que o Flamengo fizesse uma
proposta e vieram com valores pífios. Valores que não satisfizeram as
familiares. Não há ninguém do Flamengo aqui que decida. Onde está
presidente? Será que ele tinha algo mais importante para fazer? É uma
falta de respeito. Peço a todos os torcedores que vão estádio e que tem
mandado mensagens para nós que reflitam o que o time que eles torcem
está fazendo com a gente. Isso não se faz nem com cachorro. Não houve
negociação. Qualquer tipo de negociação está encerrada - disse Danrlei
Pisetta, pai do goleiro Bernardo.
Pai de Pablo vítima da tragédia do Ninho do Urubu Flamengo —
Uelisson Cândido (pai de Pablo Henrique) e Marília de Barros (mãe de
Arthur) também desabafaram e detonaram a postura do Flamengo.
- Até hoje eu não recebi um telefonema do Flamengo. A torcida do
Flamengo abraça o time, mas o presidente não teve coragem de abraçar os
nossos filhos - disse Uelisson.
- A decepção é muito grande. Os nossos filhos morreram juntos, então
devemos lutar juntos. O que estão fazendo com a gente... Não tem preço,
não vão trazer nossos filhos de volta, mas a gente queria dignidade.
Quantos pais lá falaram que o filho chorou no dia das mães porque estava
longe, todo final de semana eu estava com o meu. Eu penso assim, tinha
que ter um pouco de respeito. Respeito por nós, pai. Está faltando.Ele
(presidente Rodolfo Landim) mandou o vice-presidente (Rodrigo Dunshee).
Ele (Dunshee) simplesmente saiu e abandonou a reunião, nenhuma
satisfação. E se fosse a gente que não desse satisfação? E se o filho
não voltasse para treinar, a gente não tinha que dar uma satisfação?
Essa satisfação a gente não tem. Tudo que foi proposto foi por água
abaixo - disse Marília, mãe de Arthur.
- Nenhum dinheiro vai trazer nossos filhos de volta, mas eles têm que
ter um pouco de respeito. Falta respeito com os pais que estão sofrendo.
Tem família aqui há uma semana, saiu do seu lar, de perto de casa, está
aqui sofrendo. Aí chega aqui você escuta, nada se resolve, olha que
desgaste. Você viu ali um casal simples demais, que humildade, como eles
têm coragem de fazer aquilo com as pessoas? Estão sofrendo. Olha só eu,
nunca mais vou ver meu filho. Alguém sabe o que é isso? Eles não sabem o
que é isso, quem perdeu fui eu. Ninguém sabe a dor que eu estou
sentindo, somente eu sei a dor. A todo momento eu falo, eles tinham que
ter respeito - completou a mãe de Arthur.

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