Midas é um personagem da mitologia grega que transforma em ouro tudo
aquilo que toca. Pode-se dizer que Philippe Coutinho tem exercido poder
semelhante na seleção brasileira. Seu deslocamento em campo é a maior
prova disso. Ao consolidar sua mudança de posição pouco antes da Copa do
Mundo, Tite criou um lado esquerdo poderosíssimo, mas deixou o direito
carente do talento de seu principal meio-campista.
Para entender como o Brasil cria seus principais lances ofensivos, é
preciso imaginar a formação de um triângulo de cada lado. Os vértices
são os laterais, os meias centrais e os atacantes de lado. Portanto: Marcelo, Coutinho e Neymar na esquerda; Fagner, Paulinho e Willian na direita.
Na esquerda, talento puro e jogadores que têm características de jogo
combinado: ou seja, evoluem em campo baseados nas trocas de passes
curtos e movimentações. Coutinho foi o melhor das três partidas que
começou como meia centralizado: Áustria (3x0), Suíça (1x1) e Costa Rica
(2x0). Também fez gols em todas elas.
Esse desempenho faz com que Tite não pense em tirá-lo dali.
O técnico e sua comissão queimam neurônios é para descobrirem soluções
na direita. Paulinho e Willian são jogadores de mais velocidade e força.
O volante tem participado menos da construção dos lances justamente por
ter perdido a companhia de Coutinho pelo seu lado.
Estabelecer conexões entre Fagner, Paulinho e Willian é uma urgência
para a Seleção ficar mais equilibrada e menos dependente do sucesso de
seu triângulo mais talentoso.
Contra a Suíça, 44% dos lances ofensivos do Brasil tiveram origem do
lado esquerdo, e 27% no direito. A diferença se manteve diante da Costa
Rica: 46% a 29%.
O meia Renato Augusto, de leitura de jogo privilegiada, já avisou que o
time sempre atacará mais pela esquerda, em razão da junção de três dos
melhores jogadores do mundo. Mas o que Tite e seus auxiliares querem é
melhorar a qualidade do que acontece pela direita. E já a partir desta
quarta-feira, na decisão frente à Sérvia, em Moscou.


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